Street photography, olhar atento e uma máquina fotográfica a mão, porque nunca se sabe o que pode passar pela frente.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Encontro

Tem cachorro e gatos nesta festa, panos e brinquedos pelos cantos. Pensei – crianças… já passei desta fase! O motivo que  me segurou mais tempo em casa, para justificar com fraca desculpa  meu atraso, seria não querer deixar um filme pela metade. Porém assisto o que baixo pela net, e agora, basta recomeçar de onde foi pausado. Era este: o mocinho não sabe se abandona o lar e foge com quem mal conhecera durante uma viagem, ou permanece com  maçante emprego, mulher, sexo e cidade. Batido, mas não menos, e talvez mais interessante, do que  qualquer  assunto que possa surgir nesta irmandade.

Atento mais as panelas; calculei a escassez da salada; não morro por assados, mas, como me  descuidei da tarde, tenho fome.

Ao invés das vozes, o La la la la la la de “My Cherie Amour” (In a cafe or sometimes on a crowded street/ I've been near you, but you never noticed me). Estou desligado.

Do nada, enquanto iludia ouvir  relato, talvez pelo apetite, lembrei de uns bifes que comi em  Porto Alegre. Foi em um encontro as escuras, mas com quem? Não lembro o acompanhado. Que idade eu tinha?  A condição de pouso, ou se desci de um  ônibus lotado? O nome do restaurante…  o bairro? Pelo menos creio,  estava solteiro, liberado!

Comida meia-boca que  paguei caro. Onde estou?

No outro lado da mesa, perto da gata albina, duas mãos:  uma que faz carinho, e outra que flutua agitada denunciando uma liberdade mal conquistada. Vozes escorregadias por cordas desafnadas, risos pelo que não me enquadro, temas mais que  revisitados.  Sobe e desce do caixote. A música também não combina mais com a minha;  são meus amigos; guardam brinquedos; esquecem panos na sala. Brinquedos de canto. Canto e brinquedos.

Meu Deus, estarei num gueto?

O cão da sinal de bravo. É fácil ser íntimo na divisão de miséria, e é certo: a salada é pouca, vai faltar assado.

Em terra de cego quem é mais arrogante tira vantagem, e eu, que queria ficar em casa, mantenho-me em estado desligado.  “Off” num cerebro que não para? Golfinhos tem hemisférios gêmeos, um dorme e outro trabalha. Penso no filme e lamento o inglês limitado, porém, supreso entendo a mensagem. Stevie, maravilha, me acorda e me consola (Maybe someday, I'll share your little distant cloud… / La la la la la la ). “My Cherie Amour” o restaurante tinha escada, e eu, não era solteiro nada.

Onde foi que parei, pausado? Na decisão se parto ou me rebaixo. Posso rir dos maniacos e dos malvados,  dos que bebem para dizer as fracas verdades. Agora seguro aos dentes farpas de ironia elaboradas. Grupo, é coisa para mocidade, o meu carater já esta estragado. Tenho fome, e a comida aqui é parca.

Um comentário:

tarciso disse...

A verve de sempre, quanto a mim uma frase ficou martelando à leitura: “Off” num cerebro que não para? Identificação imediata - o fervilhar do cerebelo não dá tréguas...