Street photography, olhar atento e uma máquina fotográfica a mão, porque nunca se sabe o que pode passar pela frente.

sábado, 10 de abril de 2010

Folhetim e sonhos

Não sei por que acordei ouvindo o blues da Ângela Rô Rô.

Os sonhos desta noite foram um labirinto de acontecimentos, e assumo: quando esqueço o conteúdo é porque não estou preparado para enfrenta-los. Depois, quem sabe, vá perceber o quanto teriam sido esclarecedores ou premunitórios, aquelas idas e vindas, os lugares estranhos, altos e baixos, desfiladeiros e penhascos, além dos diálogos, alguns, inusitados, tudo sem aparente lógica, e misturados. Esta é minha única forma de unir pessoas, situações e conflitos  tão diversos e desencontrados -dormindo.

Ela diz: “sinto um frio na costela, e uma ansia de fugir”;  urgente, tento lembrar onde tenho uma receita de paroxetina -as gavetas parecem arrumadas, mas nunca encontro o essencial- é uma novela. Se for assim, os últimos capítulos não me foram favoráveis, e, mesmo com um enredo que se arrasta há décadas, não há como não retomar temas, a prinicipio, já vencidos. Pensei se não deveria assumir de vez esta  veia depressiva, mas, enquanto o roteiro for  dividido com terceiros, é dificil controlar os próprios destinos. Ela diz: novamente -“Tire de sua mão este copo… não pense em mim quando eu calo de dor…”. Também, com esta trilha, não há sonho que ajude, nem intervalo que alivie.

É dificil organizar espaços, escaninhos não comportam objetos que não se relacionam. Se fosse simples saberia além de que as tesouras casam com o cortador de unhas e com as chaves do carro, por exemplo. Complicado é saber onde coloco cartas de despedida com fotografias, ou resultados favoráveis com antidepressivos. Onde mesmo eu poderia ter deixado a receita? Janete Clair escreveria: “ sob a gaveta torta do criado mudo.”; eu continuo revirando tonto pela casa, falando só, com a voz da minha musa – Ângela- nada mais propício, sem sonhos de dúvida-  rumo ao desfiladeiro, do fim verdadeiro, do caos e da bagunça.

Retomo os labirintos que confundem a memória e me vem a sensatez de  que  tudo “só dure o tempo que mereça”. Não sei por que acordei assim?

Um comentário:

AndreChr disse...

Deste texto, sensível e belo como sempre, já fiz a minha interpretação pessoal.
Nosso papo de hoje foi ainda mais esmiuçado e, de certa forma, finalizado, com essas palavras.
Teus textos, embora falem do teu cotidiano, refletem o meu e o de muita gente. E, sempre que os leio, conheço (ou reconheço) mais de mim e 'furto' um pouco de ti.
Amei!