Street photography, olhar atento e uma máquina fotográfica a mão, porque nunca se sabe o que pode passar pela frente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

24 Horas

Mesmo não sendo Jack Bauer, estou completando 23 horas e vinte minutos de trabalho,  sem interrupções e corridos. Se em quarenta minutos meu colega não aparecer, sou capaz de entrar em surto e sair atirando gases esterilizadas no primeiro que passar.

O pensamento começa a ficar confuso, ou piora. Iniciou-se com um tipo de enxaqueca, lá pelas duas da tarde, agora, são sete e tanto, no entanto, os dois comprimidos de analgésicos, não deram pausa, apenas trocaram, dor  de cabeça por: dor + náusea. Desde o almoço não consigo comer, nem que quisesse teria tempo. Mordo bolacha imaginária, e encontro a língua machucada. Ao lado o copo, sempre presente e cheio, pois, sede, acalmo com água.

Com surpresa –no meio de um ou outro atentado, a maioria por alarme falso- conheci uma prima bastarda, seu marido e um filho pequeno, este de braço quebrado. Ela disse que de mim sabia, eu, nem fazia idéia. Quase a convidei para esticar a conversa, ou dividir o copo, quem sabe sair para uma volta, entender mais de meu tio safado, qualquer coisa para ver a rua e me sentir em um ambiente arejado.


Quando chegar, é certo, que a cadela me mija na entrada, ainda mais que o filho que ficou com ela não é atento que não lhe deixei água, nem comida…  e para ele, tampouco, mas este não se atrapalha.

Os minutos vão chegando, perdi a vontade de voltar para casa. Apesar do cansaço, tenho receio de que vá seguir, lá, com trabalhos forçados. Louça suja enchendo a pia, cama desarrumada, restos de bolacha no tapete, tênis no meio da sala. A casa, apesar de ser imóvel, é um elemento vivo que adora algazarra, ainda mais, quando mesmo na minha ausência, outros a convidam para gandaia. Para isso tenho os filhos. O melhor seria esticar a noite em um bar, numa mesa com amigos, quem sabe  uns salgadinhos,  uma brisa de praia e matar a sede com algo mais do que água.

Minha cabeça dói, mais do que há uma hora, sou avisado que tem gente para ser atendida. Mesmo com certa delicadeza, porque quem chama, meu humor conhece, fico mais irritado.  Primeiro penso, “onde deixei as gazes?”, melhor as contaminadas, mas sublimo pensando no relógio e na breve possibilidade de folga.


Amanhã  cedo,  retorno, nova jornada. Vou deixar a saída como programa pendurado. Mais fácil é esquecer da casa, que se esculhambe e olhos fechados.

Falta cinco minutos, e o colega,por enquanto, nada.

Ouço o som da porta, o tom, é de que serei chamado. Já estou com o copo em riste, o líquido no chão derramado, melhor se tivesse encontrado as gazes, enfim, agora é tarde… remeto o copo alado, espalho vidro quebrado!

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