terça-feira, 20 de outubro de 2009

Para um amigo

Se fosse possível manter as figuras do pensamento e alimenta-las com todo sentimento e imaginação disponíveis. Se fosse factível trazer a atemporalidade dos sonhos. Se todas as cores pudessem ser interpretadas, tais quais, pela retina e todas as dores anestesiadas apenas por imagens, nem que fosse por um momento, queria te preservar neste retrato.
Diário da MOrsa

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vinil



As janelas vão ficar fechadas. Não sei como, mesmo sendo tão alto, bem acima dos postes da rua, a luz invade com seu tom amarelado o minúsculo apartamento. Penso, se vou até a janela alimentar esta languidez, ou permaneço olhando para o teto tentando ordernar meus espectros. A casa não é minha, mas sei o lugar das coisas mais essenciais, tem algo para beber na geladeira, e uma coleção de discos antigos aqui ao lado.
Da rua, já dei tantas voltas nestas quadras que estou versado nas entradas e vielas até então desconhecidas. O tom esmaecido dos prédios antigos agora os trouxe para dentro. As janelas vão ficar fechadas mas a radiação descorada deixa ictérico os panos e minha pele. Abraço forte a almofada até reter seu aroma, estou cercado de fantasmas, escolho olhar para fora.
Poucos passam por aqui nestas horas e tenho a impressão de conhecer meus companheiros, mas são todos tão parecidos. Não sei se tenho fome além da bebida solteira do fundo da geladeira. Aqui ainda se escuta vinil, mas a casa não é minha, enfrento o trabalho de levantar a tampa do prato, e desensacar o disco, e sentir a estática, atiça meus espectros, o som precedido por chiados, era só o que faltava.

Diário da MOrsa

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

To be


To be, upload feito originalmente por Camafunga.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pias


##, upload feito originalmente por Camafunga.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Anverso do Amplexo


No fim do corredor mais longo do mundo, permaneço de braços abertos.
Botas, trilhos e falta de janelas não compõem esta passagem.

No fim do corredor, mais longo do mundo, uma porta que se fecha e só abre em hora incerta.
Flores plásticas em jarro fino, depositada em frágil mesa enferrujada, antecipam a saudade que não pode ser alcançada. E penso me jorro?

No fim do corredor, mais longo, do mundo, misturo as memórias pelo risco e pelo medo. Minhas pernas sempre ágeis ficam imóveis ante ao intento. Tento, projeto, escuto e mudo.

No fim, do corredor, mais longo, do mundo, antecipo uma ausência, fujo.

No fim, do corredor, ficam os braços abertos, apenas os braços.

Espero.



Pausa


***, upload feito originalmente por Camafunga.