terça-feira, 22 de setembro de 2009
Espaço
Prefiro relógios mais pesados para poder sentir as horas, com os braços soltos fica mais fácil perder a estrada e, se sair agora, não sei quando nem se volto. Vivo no meio de gente tão alternativa que gastei as opções para experiências novas. Ao invés de academia, fisioterapia, para poder suportar as dores nas costas. As batatas das pernas estão assadas de ficar sentado, mas é parte do preço por ter um bom trabalho. Tem mais papéis a ser preenchido, mas, nestas horas, as canetas não ficam a mão. Se não vou poder controlar o tempo, vou sair agora. Até...
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Segunda
Então, ou caminho sem rumo, ou fecho as janelas e esqueço que é dia. Síndrome de segunda-feira e nada como um iniciar de semana atrás do outro para perceber que a vida é um ciclo, melhor, um círculo, que se repete e não se fecha.
Acho graça das pessoas que vestem a primeira coisa que vem pela frente, mas, de onde sairam aqueles sapatos de cor lilás? Nada parecia combinar naquela composição de rua, e prendo o olhar em detalhes como as meias claras salientando o mau gosto dos passantes e dos calçados. Quando estou assim, tenho atração ao feio. Da menina pendurada, mais do que o carinho da mãe que corre atrasada, da roupa que sufoca de tão apertada, me chama o ranho, seco e pendurado, como cascas de falta de higiene dizendo: sou mal cuidada. Até os cães me aborrecem, passam a noite ao relento e no fundo, bem no fundo, acho que merecem. O mesmo pensar dos pedintes, dos jornaleiros que estão desde cedo acordados, dos que não despertaram por ressaca, os soltos e desamparados.
Hoje é segunda-feira, não há poesia fora do inusitado.
O sol não combina. Como, sob o calor, vestir um casaco. Mas vagueio mais um pouco, a busca do que não sera encontrado.
Acho graça das pessoas que vestem a primeira coisa que vem pela frente, mas, de onde sairam aqueles sapatos de cor lilás? Nada parecia combinar naquela composição de rua, e prendo o olhar em detalhes como as meias claras salientando o mau gosto dos passantes e dos calçados. Quando estou assim, tenho atração ao feio. Da menina pendurada, mais do que o carinho da mãe que corre atrasada, da roupa que sufoca de tão apertada, me chama o ranho, seco e pendurado, como cascas de falta de higiene dizendo: sou mal cuidada. Até os cães me aborrecem, passam a noite ao relento e no fundo, bem no fundo, acho que merecem. O mesmo pensar dos pedintes, dos jornaleiros que estão desde cedo acordados, dos que não despertaram por ressaca, os soltos e desamparados.
Hoje é segunda-feira, não há poesia fora do inusitado.
O sol não combina. Como, sob o calor, vestir um casaco. Mas vagueio mais um pouco, a busca do que não sera encontrado.
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Amnésia
Prefiro não reler o que publico, nem olhar fotografia antiga. Cada coisa expressa o momento, e deu. Não sei por que guardei tanto para depois, se, dificilmente volto a elas. Gravei filmes, shows, capítulos de novelas, a primeira vomitada de meus filhos, guardo cadernos com rabiscos, desenhos e recados, nunca vistos, nunca lidos. Acho que o tempo me afasta ainda mais deste tipo de memória e prefiro o esquecimento, mesmo o que foi bom ficou melhor no pensamento.
Um dia fiz uma fogueira e vi queimar meus VHS, depois meus cadernos do tempo de faculdade, como todas as revistas e suas noticias vencidas. Há muito percebi que sou efêmero, e não há nenhuma tristeza em dizer isso. Não sei se lembro o que escrevi na primeira linha, mas prefiro não reler o que publico, nem olhar fotografia antiga.
Diário da MOrsa
domingo, 6 de setembro de 2009
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