quinta-feira, 23 de abril de 2009

Elucidar

Tentei pensar uma forma mais clara de me expressar, a mais próxima de quando elaboro uma tese, preparo uma carta ou pretendo ofender alguém.
Aos que não me entendem, tranquilizo, preciso de terapeuta para chegar aos porquês de algumas parábolas. Não uso dicionário, nem viajo em sinonímia, miníma é a interferência da gramática, apenos deixo que as palavras revelem o que não é possível sem estar entorpecido.

Adoro sair a caminhar, a modernidade trouxe aquele som da sala para o bolso numa seleção quase infinita, pelo menos, tão grande quanto o tempo que me sobra. Então caminho sobre falas, como sempre gostei, absorvendo a poesia conduzida pelas melodias.

Aprecio aromas, deixo que os sentidos me tragam o complemento até que me liberem todas as endorfinas.

Cores e sombras, luzes que brincam com as imagens até que chegue um momento único que eu consiga captura-las.

Enfim, não pude ser mais claro...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cães


Cães, upload feito originalmente por Camafunga.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Nesta madrugada

Era duas da manhã, ela chega com os cabelos desgrenhados, uma roupa multicolorida sobreposta ao pijama não menos espalhafatoso. Embora fosse "particular", me avisaram que a paciente havia descido de uma Variant verde limão caindo aos pedaços, que estava ofuscando a visão do restante do estacionamento.
Nem sentou-se, agarrando as mãos, tirando um resto de esmalte negro cujas cascas caiam sobre o prontuário, me disse que estava com um problema muito grave. Já em prantos, conta que tinha uma dor imensa no peito e que precisava de um remedinho para poder ficar mais calma. "Podia ser um valium mesmo, ou morfina"- solicita.
A dor era pungente, o companheiro havia abandonado a casa, a ela, e pelo jeito o carro, em troca da filha da vizinha. Pior é que a noticia tinha sido dada na véspera do feriado para que ela pudesse se organizar.
Mas não foi possível, depois de um dia inteiro de desespero, foi vencida pela madrugada, e eu também, que além do remedinho tive que lhe dar e ao sono atenção e guarida.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nada

A vontade era que tudo terminasse. Quando cheguei a frente da lousa não via nada além de cor e compensado. Verde na memória, imenso espaço e algo que deveria ser respondido mas que talvez ali não coubesse.Um nada e uma platéia agitada.

Sabia que, mais um pouco, estariam rindo pelas minhas costas, enquanto ali, o pensamento era saber, afinal, o que queriam de mim?

Sem que nenhum relógio me marcasse, esqueci também do tempo, e dei o primeiro traço. Um linha sem caminho, uma idéia sem destino, minha imagem favorita desviada em arco. Um nada decorado.

Mas o que era mesmo que queriam que fizesse? O verde estava cortado pelo pó de giz e amenizado. Ao invés de risos, a transferência das expectativas, eram eles a procura da conclusão.

Animado espalhei os traços, associei vazios como imagens que só podem ser reconhecidas a distância. Dali, daqui ou do espaço. Larguei a obra sem interpretação, em quadro. Ninguém perguntou nada. Dissipada a primeira angústia com um nada rebuscado.