Street photography, olhar atento e uma máquina fotográfica a mão, porque nunca se sabe o que pode passar pela frente.

sábado, 15 de agosto de 2009

Delivery

"Com licença, foi daqui que pediram calma?

Nossa empresa não consegue mais dar conta de tanta entrega exótica. Ontem nos pediram tempo, mas isso é mercadoria escassa, sem pronta entrega quando chega já é tarde. A gente tenta avisar que é bobagem porque depois de pedir um tempo não tem mais volta, o tempo não volta, as pessoas não esperam, e a fila anda. Depois, a gente nem sabe direito que uso vão fazer com o tempo, a maioria aproveita mal, acaba que não vale nada.
Também há quem peça arrego, nossa, como pedem arrego. A primeira vez tive que ir ao dicionário: "ajuda, implorar perdão". Como carregar isso? Será que cabe nas costas? Um sujeito com fama de gay foi encontrado, no colo da secretária, a mulher, grávida de seis meses, entra de surpresa para mostrar o ultrassom e confirmar para o marido, esperava um menino. Agora é ele quem espera, arrego. E tem arrego para banco, para empresa, para família. Na linha financeira, depois da crise, tem gente pedindo arrego por atacado. "Olha me manda uns vinte, uns para financiamento, outros para cheque especial, para aluguel atrasado, para amigo irritado..." Tem arrego recorrente, mas esse não tem boa aceitação. Eu aviso, se for para usar tem que ser de uma tacada. Para chefe tem um kit, acompanha pinico. Pedir pinico saiu um pouco de moda, é quase a mesma coisa que pedir arrego, mas em caso de levar mijada...
Pedir água, não é literalmente líquido. Já me atrapalhei e mandei galão na hora errada. Pedir água é desistir, como abandonar o barco. Este é um pedido extremo, que as vezes vem depois do arrego mas pode ser ainda antes do tempo. Mas...
Foi daqui que me pediram calma?"

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