Street photography, olhar atento e uma máquina fotográfica a mão, porque nunca se sabe o que pode passar pela frente.

domingo, 3 de maio de 2009

Caminhada

Morreram, Zoraide, Irema e Jacira, só mulheres no obituário pendurado na porta do jornal centenário. Caminho.
Desvio de copos e latas amassadas, baganas por todos os lados. Amantes recém conhecidos se despedem na descida dos carros como resíduos de um amor não consumado.
O guarda da praça conversa com os cães sobre a solidão de seu trabalho, ri alto por algo que possa ter presenciado. Riem jovens fumando maconha escondidos no meio do parque, disfarçam o frio que resiste ao sol que ainda é pouco. Não sou o único ao trabalho. Moças olham para baixo segurando, fora do corpo, seus agasalhos.
Pastores de terno e suas pastas, apertam passos apressados, não há pastoras, tempo, nem piedade.
Caiu sereno, mas também houve violência, manchas rubras de uma briga diluem-se sobre a pedra molhada, vejo cacos e um pingente, pedras soltas por acidente.
Esqueceram o jornal da véspera na soleira da bodega, quase roubo de presente, mas evito nota passada. A menina chora no ombro de outra menina, deve ter lido o obituário.


Diário da MOrsa

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