sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Reflexo

Interessante ouvir na voz de outro as mensagens que não são entendidas pela nossa consciencia. Culpa, dúvida ou atos insanos parecem estranhos quando ouvidos através de um espelho sonoro, porque, antes mesmo de ecoarem, soam como novidades, embora sejam respostas simples de nós mesmos.
Assim tem sido algumas de minhas conversas, descobertas que modificam o peso e o significado dos atos e das palavras. Então, posso dormir mais sossegado, embora perceba quem sou por terceiros, não estou só nestes diálogos, nem tão pesado. Agora acordo perdoado, mais pelo que os outros fizeram ou contaram, porque sou humano, e não estou só neste relato.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Críticas

Não que eu vá fazer isso outras vezes mas me sugeriram retirar o texto do post anterior e confesso que ele era realmente desnecessário.
Outros comentam da melancolia que as vezes acompanha imagens, mas não é isso, são apenas textos.
Numa das crônicas do meu tio o tema era um cachorro perdido, não lembro detalhes, mas sei que havia algo mais naquela mensagem, e isso que ele tinha um programa na radio difundido em toda região, e ali ele lia seus devaneios como se estivesse só sem ouvindes. Neste dia eu me senti confuso, primeiro por não ter entendido o que estava sendo dito, depois por que achei que de alguma forma ele se expunha em demasia. Mas para quem? Somente para quem o conhecesse, quem sabe até o admirasse, ou ficaria como palavras soltas e sem sentido em meio a tantas outras crônicas mais claras e objetivas. Mas de outras assim explícitas eu não lembro quase nada a não ser que eu gostava, mas ficou na memória incomodando ainda a do Cachorro Louco. Mesmo assim tirei o texto, meu tio os tinha no que é efêmero do audio, eu ja registro em arquivos que podem ser relidos, reproduzidos e adulterados.
Boa lembrança que isto traz, espero que aproveite para alguma coisa.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Imagem


Ainda da série das coisas que eu gostaria de ter feito e não fiz. Mas gostaria.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Jacques Brel


Hoje recebo Jacques Brel de 1962 nesta interpretação de Ne Me Quitte Pas... para rebentar!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Brincadeira


Brincadeira, upload feito originalmente por Camafunga.

Tudo era apenas uma brincadeira...

Carece de Cantar



Certas canções que ouço
Cabem tão dentro de mim,
que perguntar carece
como não fui eu que fiz?
Certa emoção me alcança
Corta-me a alma sem dor
Certas canções me chegam
Como se fosse o amor (...)
Calor que invade, arde, queima e encoraja, amor
Que invade arde, carece de cantar"


Duas canções de Milton Nascimento, desfrutei do Clube da Esquina.

Nem visão, nem imagem, nem ato ou comoção, a dose certa de todas as possibilidades num só acontecimento, e não foi desta, nem tão próximo, nem revealdor ou obscuro o bastante para me eximir de responsabilidade.

Escuto com se fosse a primeira e não a comum maneira de dizer o que é repetido, e desde sempre, e fico as voltas com impressões que se acrescentam neste devaneio, do que deveria ser, quem sabe, apenas passageiro, e simples como um fato corriqueiro, o que pode virar em uma dolorosa tragédia grega, ou romana, romanesca.

Nem verdade, nem versão falsificada, nem direto, nem o direito, sem vantagem, espio um impulso para empurrar a sorte, mas que pode dar em um nada, ou em muito algo como as canções que me chegam, como o amor que invade e arde, que cabem tão dentro de mim, mas, que perguntar carece: Porque não fui eu quem fiz?

Então, há canções e há momentos
Eu não sei como explicar
Em que a voz é um instrumento
Que eu não posso controlar...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Não fui eu quem fiz...

Volto para a série das coisas que eu não fiz, mas que gostaria de ter feito...
Estas é uma delas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Por todas as mídias.

Antes seriam livros jogados por gavetas e prateleiras, ou bolachões, igualmente empoeirados a lembrar tempos congelados, mas, nesta tecnologia de sons puros e objetos binários, sobram mesmo são discos metalizados e textos condensados em arquivos limpos e organizados. Não carregam ácaros, nem outras sujeiras, mas mantém, pelo menos, a clareza e o brilho da memória. E eu vivi estes dois tempos, da lembrança física de encontrar uma foto perdida entre as páginas, um recado, uma dedicatória ou um grifo de caneta bic, e outro, este, que só agora descompacto desde bits a velhos sentidos, e percebo, que mesmo sem saber, era moderno, bem antes de ser simples.

Encontrei, talvez, os amigos certos, e as melhores companhias, encontrei o fio perdido, a linha que une a cultura ao sentimento escondido, e volto a me emocionar além da dor, também com a mente. Sou papel e tecnologia, mas não deixo de ser quem sempre fui, eu mesmo frente a tudo que me foi dado e adquirido, séculos de outros pensamentos, anos de uma criação sem desvio. No entanto, este eu virou, um tempo, personagem a esconder como as notas e imagens, poesia e sensibilidade.

Viva o mp3, mas salve o LP, resgate a escrita e o que se lê, traços ou vetores, sejam quais forem os fatores, em qualquer ordem sou o produto destes momentos bem mais do que aquilo que determinei como tempo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Convidada


Grão, upload feito originalmente por Camafunga.

Caminhos
Isadora

Caminho por linhas tortas
Tento me ter
nesses dias desiguais
Perdi a linha
agora só me sobra
as minhas pernas tortas
Tortas de tanto caminhar
tento me conter, me encontrar
mas só me acho nas linhas tortas
motivos, pra quê, se eu choro
cada vez que me tiram
o torto das minhas pernas
quero chegar a um consenso
de mim, de me ter
loucura de querer, de chegar...
Tanto faz, agora que não posso
caminhar...

*Para Marcelo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

De Drummond aos Anjos

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora...

Poucos percebem, alguns ignoram, será necessário um Sarau profano e definitivo para que acordem, ou quem sabe isso nem seja relevante. Tanto que tinha para ser dito ficou por muito diluído entre páginas e diários, aqui mesmo, muitos "e agora..." contra poucos até quando. Mas há mais o que me prenda, mais que a Augusto dos Anjos seus Eus e outras intimidades, há uma outra e possível realidade a que dá força e reinventa a realidade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnaval

Mais tempo do que necessário, cada minuto pode valer um tostão, então entro de cabeça no numerário. Dobrões, metais amarelados, rendimentos que não podem ser dobrados. Ou podem se levar em conta a riqueza das possibilidades. Maturidade e entendimento, pés no chão e o momento. É carnaval, é hoje, mas não passa de um evento. Troco a festa por tranquilidade, nunca fui desta ou de outra falsa frivolidade. Mais tempo do que necessário, boa companhia e numerário, assim será minha folga me arrumando para o trabalho.