terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pausa

Nem sempre os caminhos são tão retos, nem as possibilidades diretas. Nada é possível sem que se veja o todo em sua mais profunda, ou mesmo, dolorosa realidade. Isso que esperam, o "fundo do poço" do Caio Abreu, as cinzas de Nietzsche ou a saudade de Pessoa. Eu me enquadro em todas estas formas mas escolho, hoje, a frase que marca, justo a mais pungente:

"Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"

Nietzsche


Panfleto - Nietzsche loves you...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Um dia...



Não se trata dos Waltons, ou outra fazenda americana cenário de filme vintage, é o próprio tempo parado aqui no interior do Uruguai, uma ambientação natural em meio a calças Lee com a bainha de feltro e bonés vermelhos com algum time da liga.
Esta foi a primeira viagem depois voltamos com o Charles e só encontramos um cofre solto na rua, motivo da imagem anterior aqui publicada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Republicando

Calcinha

Chega de mansinho e avisa que não tem nada a ver com isso. A roupa íntima, agora pública, correu de mão e mão pelo escritório. Fez-se de admirada, aquelas penas seriam de alguma devassa, uma louca, uma tarada. Estouvada por deixar a mostra. Não quis render-se aos comentários, nem as rendas exageradas e vivamente coloridas, alegoria de desejo retido que era seu, mas não neste momento de promoção de libido. Caiu da bolsa, era uma brincadeira, estava pura ainda sem ser usada, agora infectada pelo pensamento de todos que riam por ela identificados. Piadas porcas a um pequeno pano, também caçoam de sua castidade. Anunciaste dona, também dissoluta, libertinada de suas fantasias por um simples trapo? Tivesse coragem, estaria a parte, perdida, e seria assim lembrada. Deboche e crítica, dela, também foi tema, perdeu a chance e já era tarde, ao sair de cena, perdeu a graça, perdeu o êxtase, subjulgou o gozo e, de mansinho como se não tivesse nada a ver com isso, permaneceu casta, um trapo como o pano sem dono.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Letras fugidias

As letras aparecem e desaparecem da tela como se tivesse testando o teclado. As idéias vem projetadas em frases disfarçadas, sempre camufladas para que cínicamente sejam descobertas sem que seja explicitadas. O comentário era de que meu português era estranho, estranho é minha fala e meu pensamento, estranho é ainda ter que ficar sussurrando o que há muito já devia ter sido um grito. Então, preso em alguma parte, minha, mas que nem reconheço, me calo a espera de novo ouvinte, leitor, terapeuta ou técnico em criptografia. As letras somem e reaparecem em outra ordem, eu só mantenho o que sinto e tento inventar caminhos diferentes para a expressão de um único e profundo sentimento. Tento. Vem a mente as idéias puras transformadas em imagens abstratas que nem sempre mantém a dureza da realidade. É, as letras somem, as imagens se confundem, assim fica certas vezes minha escrita, na linha entre o retido e o declarado. Melhor junta-las a tirar da voz do que deve ser falado, ou desistir e de dar razão ao que não mais será resgatado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Imagem

Secagem de fumo.


Esta foto foi feita pelo celular mesmo, numa visita do PSF. Eu preferia que tivesse com minha maquina e pudesse registrar de forma mais técnica, mas me chamou muito a atenção a presença e o olhar desta criança. O cheiro do fumo secando é mais agradável do que imaginava, o colorido das folhas sob o pouco sol que entra também. Foto não se explica, mas esta tem um subtítulo que só a mim interessa, acho que me vi tranqüilo naquele bebê sobo olhar da mãe, não sei.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Segredo


Segredo, upload feito originalmente por Camafunga.

Quando vi a imagem crua antes das lentes pensei que estava em alguma sala aberta. Agorafilia, janela as inversas, paisagem revertida e refletida pela luz que sobrepõe as sombras, ali, sob um cofre que não permite expor seu conteúdo e seus segredos, tão fechado como solitário ou abandonado, cofre, uma imagem dentro do contexto, uma idéia para o pensamento um desafio a ser decifrado.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Em Rio Branco


Semitas, upload feito originalmente por Camafunga.

Camafunga

Havia um cofre de barro em forma de peru, tinha sido da minha avó, ou da avó da minha avó, não sei. Também não sei o valor daquele objeto centenário que quando criança brincava sempre com o cuidado por saber ser ele velho, uma relíquia de gosto duvidoso, mas que fazia parte das gerações da família. Hoje durante a janta de aniversário de 45 anos de casamento de meus pais fico sabendo que o peru foi encontrado quebrado, caiu de uma caixa ontem mesmo e ficou em pedaços. Minha mãe traz o que havia encontrado dentro dele, um pedaço de papel escrito por mim há 29 anos, eu ainda criança havia escrito os versos acima, escondido dentro do cofrinho até um dia ser descoberto. Fico surpreso por perceber qeu sempre fui Camafunga, e que estas coias qeu hoje faço como fuga são e realmente resquícios daquele menino diferente, pensativo e cheio de idéias. Clicando na imagem ela aumenta, mas vou repassar o que foi escrito por este menino na voz do peru:
Por mim muitas gerações passaram
Umas se foram
Outras ficaram

Muitos me viram
E me tocaram
Muitos me cuidam
Muitos me estragam

100 anos no mínimo tenho
Vi coisas e fatos
Que você não viu
Espero durar para ver
O que seu neto vai fazer

Mas estou aqui eu sei
Todo quebrado, quebrei

Marcelo 1978
31/05/78


A mensagem que fica, se à vera, é de um menino com paciência que produz um texto a seu jeito falando de finitude mas sem a preocupação do tempo para que tome efeito, e ensina a si, mais velho, a difícil lição desta dúvida e espera.
Te agradeço!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Saudade


Frio, upload feito originalmente por Camafunga.

Esta imagem é para lembrar de um tempo bom.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A pedido...

Não sei escrever de encomenda, mas desafios são para ser enfrentados.

A roupa esta ainda no armário, dividida por cores, de longe formam um arco-iris milimetricamente organizado, embaixo as mais claras e avermelhadas, por cima as em tons mais pesados. Fácil de fazer a escolha. As calças tem numero certo, não podem ser ultrapassados. Gravatas engomadas, paletós degradês para a semana. No banheiro, além dos apetrechos naturais de um vaidoso, perfumes, gel para cabelos e muitos cremes. As toalhas combinam em tom e textura, a de rosto mais lisa e maleavel, a de corpo encorpada e áspera, questão de gosto e também ajuda na limpeza que a esponja abrasiva faz no rosto. Tem espelhos por toda a parte, até o piso é reflexivo, da para ver todos ângulos, esconder cada detalhe.

Estou preparado para os acontecimentos, segunda tem teatro, terça academia, quarta com a turma é um arraso, anos oitenta e danceteria, quinta janta com a confraria, sexta é dia de virar a noite e ai vem o sábado, o dia do poeta e é quando finalmente me acho.

Tinha um Toyota, mas preferi um carro mais esportivo, nem sei bem a marca, só que fica no meu estilo, a cor é um pouco chamativa, mas é bem isso que prefiro.

Não parece que falta alguma coisa? Ou nada disso tem a ver comigo, mas, ja que estou na capital do ócio aproveito para exorcizar meus bichos, ando sempre preparado, sei onde encontro bebida, fumo e comprimidos.

Pode ser que assim não me deprima, que mais agradável, fique da forma que me queiram. Pode ser que assim me ache, ou de vez nunca mais me veja, mas não vou contar vantagem, porque estou melhor que me desejam, só escondo a verdade, que é para proteger da solidão, faz parte do meu show...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Volta

No Diário entro com maiores detalhes, aqui só informo que os passos foram dados, o que falta é somente seguir e ver o que dá. Cento e oitenta pode significar retorno, mas pode também ser seguir do início. O importante é o movimento, é saber-se vivo para cuidar desta vida e não deixar-se só no meio do caminho.

Nota: não sei o que se passa nestas entrelinhas mas não é nada tão forte como nos textos anteriores. Acho que é questão de estilo literario, coia que deveria ter ficado claro apenas com a imagem.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Sacarrolha de volta...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Paro

A atenção esta voltada a fatos não evidenciados com isso a imaginação leva o pensamento aos extremo, acabo sendo perverso comigo mesmo misturando desafeto com incapacidades, buscas com conquistas e esperanças por derrotas. É hora de dar um tempo, sempre o tempo, parar e observar pelos olhos da bondade, acolher-se antes de tentar ser acolhido. É hora de parar, olhar para novas possibilidades fora dos paradigmas das primeiras, afinal, isso é sempre feito, embora por esquecidos meios. É hora de afrouxar arreios, deixar que flua simples, do modo que for, para que permaneça íntegro, para que me entenda inteiro.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ando

Ando cansado. Não cansado pelo físico que ora melhor do que nunca me fortalece, nem pelo espírito que me acode e no momento necessário vem a mim e restabelece. Ando cansado pela vida, pelo que busco ou que tenho por convívio, pela falta de respostas aos mais simples, comuns e delicados dos princípios. Ando cansado, mas ando, e neste caminho me abalo, passo por trajetos nunca novos, quase sempre, conhecidos, são cenários mal cuidados, percebo que as vezes ando em círculos, ou são todos tão iguais que não divulgo, mas de qualquer forma vou e sigo. Tenho mais gás do que pensava, há reserva em combustível, meu solado é de borracha, chuto pedras no caminho, tem mais gente que acompanha, alguns buscam a mesma sorte, outros passam sem esforço, mas preferem seus enganos. Estou cansado mas não paro, nem que seja até outra vida, nem que me encontre em outro plano.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Pós-escrito

Do post anterior teve gente que pensou que eu cometeria o suicídio, que aquilo era uma carta testamento do Camafunga, e que, de certo, o Ano Novo terminaria com um tiro no peito ou um atropelamento. Mal de quem não entende as metáforas e as entrelinhas, falo em morrer de forma subjetiva pelo refazer da vida. Não tenho a pretensão, nem a necessidade, de ser sempre entendido, nem de dar explicação posterior, pós-escrito aqui tem outro significado, quero aproveitar apenas o fato de poder falar sobre o fim.

Sei que talvez não seja a pessoa mais indicada para divagar sobre isso, do término das coisas, nem das tentativas que se seguem. Ando numa fase quase mística de crer no impossível, e é desta forma que retomo a vida. Tenho, como quase todos do meu tempo, a certeza da fragilidade dos afetos e da inconstância dos relacionamentos, todos os tipos de relacilonamentos. Aprendo em cada um e na falta deles, que tudo pode ser difícil e complexo, e tento, dentro do razoável, refazer também as expectativas e longevidades determinado os limites até onde for possível. No entanto, embora o dito, ainda acredito em comprometimentos sólidos e fortalecidos, seja nos casamentos ou amizades, tenho vários destes bons exemplos comigo. Mas, também sei, é necessário a cada perda, entendimento e luto, aprender nas tentativas pelos erros e acertos, e principalmente ter fé, porque sem fé não há esperança. Por isso ando místico!