"Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço.A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? Agente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói.Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê."Caio Fernando Abreu
Esta foto é de ontem, estavamos eu meu irmão, cunhada nova e filhote apreciando um pôr-de-sol no canal. Todos libertos em torno de pessoas ainda mais libertas e alternativas, tanto quanto os sentimentos novos experimentados.Desde que comecei a descobrir os espaços escondidos da cidade pude avaliar que era possível ter beleza até no meio da decadência. E foi assim quando cheguei a primeira vez ao quadrado das doquinhas, como se estivesse me preparando, para que no momento oportuno, viesse a ter o cenário adequado para de onde tirar inspirarão e força.
Minha avó diria, nada como um dia após ao outro e mais uns outros depois de tantos dias para que a desesperança se transforme em conquistas, e sinto isso, mais rápido do que o imaginado, embora com os pés bem no chão, os pés, mas não os ouvidos que mesmo sem maiores procuras encontraram num piano inesperado a acolhida de afeto e sensibilidade. Já tenho o cenário e o tema, falta muito pouco para iniciar a peça. E este é apenas mais um passo.
Ps: Agradeço ao Célio pelo texto enviado que reproduzo acima, sensibilidade é tudo...








