Street photography, olhar atento e uma máquina fotográfica a mão, porque nunca se sabe o que pode passar pela frente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O caso das calças

Tenho comido pouco e continuo a perder peso, mas pelo IMC estou bem e não pretendo me encher mais, mas poderia ser mais atento e evitar certos gastos e constrangimentos.
A história que conto agora é típica da MOrsa no seus melhores momentos. Tenho um filho de 16 anos, e como é normal, ele deve ter uns 15 centímetros a mais do que o pai, e embora magro, tem uma circunferência abdominal proporcional a sua altura. Sábado, para o evento da feira do livro, atrasado como sempre e correndo coloquei uma calça de brim, escolhida pelo cinto, um mais novo que não lembrava de ja ter usado. Pego Matheus, dinheiro e táxi e vôo para a rodoviária. Ainda pensativo pelos "adeuses" e viagens recentes, nem dou conta que algo estava errado. Foi o tempo de pegar a passagem e entrar de qualquer jeito no ônibus, foi o tempo de mesmo enfivelado ver cair quase ao joelho aquela, agora absurda calça. Enfim, já era tarde, estava com o manequim errado, o cinto era meu próprio roubado, o brim do filho espichado. O fiasco não foi maior porque meu outro filho, companheiro, me puxou pelo cós elevando a cintura ao umbigo e assim sentei meio encabulado, ainda mais pensativo. Mundana preocupação me absorve, e esqueço saudades e despedidas. Chegamos em pouco ao destino, com uma providência imediata, encontrar uma loja aberta naquela cidade interiorana e pacata, em pleno sabado a tarde. Havia porém só uma, uma cara, bonita, famosa e sofisticada. Cheguei com cintura 44, da tal da calça trocada, e de tanto experimentar e provas atingi o número da nova e esquálida farda, agora visto 36 e por pouco não me fica larga. Ao preço não tive escolha, comprava umas quatro das que estou acostumado, mas aproveitei a griffe e escolhi a mais transada, destas modernas com ar de velhas, uns pontos aqui e ali falsamente desgastados. Chego contente ao tal evento, me sinto modernoso, afinado, afinal o preço foi alto mas estava identificado, minha mãe, que não tinha me visto, e do alto de minha não pouca idade, me chama para um particular como se estivesse contrariada. "Meu filho com tanta roupa boa em casa, tinhas que vir com uma velha e rasgada?".

Diário da MOrsa

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