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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
Despertador
Acorda, é hora!
Meu relógio tem defeito, sem sentido, roda, roda, rola. Ao chão. A cama atiça e o corpo rola, rola, rola, roda.
Enjôo, não!
Volto ao tempo sem motivo, antes tarde do que sempre, nunca, é nunca como agora, é hora, hora, ora! Sente.
Minhas roupas estão desfeitas, Uma pende ao colarinho, teu vestido, lá, sozinho, pede, pelo avesso, mofa e repete, amarrota, torce e despede de meu amarrotado carinho.
Vejo o dia no aguardo Uma mesa me espera o café esta passado, nada mais é o que era. O amargo vem do hábito, O gosto vem do hálito, Mas a cama, ainda morna, esta ora, rola, roda e verte.
Meu desejo era ver-te mas não sei mais a que hora meu relógio tem defeito tem o tempo sem sentido o sentido sem ter tempo rola, rola, rola e rola.
preciso tratar da vida, preciso despertar, embora, precise encontrar motivo por isso...
Acorda, agora!
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
Simples
Vi meu olhar emprestado em outro rosto, e não tive vontade de retoma-lo. Descobri que há paz no silêncio, onde personagens tomam a vida e saem da poesia para que se permitam ser tocados. Há entendimento e ternura, mesmo em relatos cada vez mais breves, porque não parece ser necessário estender-se em termos ou condições para que se desfrute do consenso. Vi meu futuro ser proposto em outro tempo, e não corri atrás do que parecia já estar perdido. Senti o equilibro do calor das mãos unidas que, de tão macias, afagam dos pés a alma, indicam, além da serenidade, que irradiam mais energia do que se busca e compartilha. Vi, no disfarce da verdade, o que se oculta apenas por vaidade, única mentira de caráter que mais une que afasta. Trouxe comigo, da minha vida, dada por devassa, um aprendizado, doação e afinidade. Vi que estava com o olhar correto, que o tempo estava limpo e liberado, por isso, não me deixei por rogado e hoje estou mais feliz e acompanhado.
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Domingo, 27 de Abril de 2008
Mi-EX-tenia

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Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Redenção
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Plantão
Hoje no diário da Morsa relato dois casos acontecidos no plantão, bem coisa de morsa mesmo, mas como ando misturando as coisas ai vai uma delas:
Ela relata que esta sendo espionada por aparelho que lê ondas cerebrais. Intercalado por momentos de lucidez relativa, afirma que sabe que este tipo de coisa não existe, mas volta a perguntar se mesmo não sendo possível, poderia isto estar acontecendo. Antes que eu mesmo ficasse confuso, peço que ela seja mais clara, e, de uma forma objetiva, relata que toda vez que pensava em sexo, tinha suas ondas lidas pela vizinha fofoqueira que morava ao lado. Isso, somado a vergonha de sair de casa, impedia uma vida íntima e, o que era antes um segredo, agora era um tormento. O marido sem entender nada, e com cara de apavorado, apenas gesticula e repete que aquela não era sua esposa de trinta e tantos anos de convivêcia. Tento explicar que ali não era um hospital psiquiátrico e que sera tarefa para um especialista, mas, visto o adiantado da madrugada, o meu cansaço e a insistencia em ter uma solução do marido, claro que tentadas algumas alternativas medicamentosas ao meu alcance, entrarei na fantasia. "Dona Fulana, este aparelho só funciona no quarto?" Ouvi um sim. "Então vá para casa imediatamente e tenha relações com seu marido, na sala!". Pelo alivio da coitada e pela cara de satisfação do companheiro acho que dou a melhor receita. E eu fui dormir, as quatro horas. Diário da Morsa
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Barra
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008
Despertar
Morri sem perceber. Penso em abrir os olhos para confirmar, mas tenho dúvida. Visões antecedem o despertar, e confundo o frio intenso de estar descoberto com o calor ainda presente das últimos horas, terei que decidir desde a roupa que ora me abandona até se precisarei de meus óculos. Será que ainda enxergo ou somente sonho tais imagens que tanto aguardo? Quero tocar de leve, e sentir. Há um corpo aqui ao lado ou apenas um palco revirado? Invade um aroma sutil e agradável, e agora até o eter quer reter mensagem na mistura de sentido e realidade. Vou permanecer, por mais um tempo, imóvel, afinal percebo-me inerte, rijo, embora leve. Desde os pés que se depositam sobre algo, até os lábios que de sede salgo, sinto a saliva do que me parece um gosto alheio, é puro, gosto e pulsa coração e veias, mas se estou morto o que lateja é um desejado devaneio? Simples. Morri sem perceber, e posso não estar só nesta passagem. Então, será que devo liberar a vista? Flutuo numa conquistada necessidade, liberto, caso tudo seja confirmado, só o medo é pai do falso e maltratado. Hesito, prefiro é acreditar nisso, abrirei os olhos, antes, acato, aceito, posso precisar ter morrido para permanecer vivo e pleno.
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008
Momento
Sensação
Bruna Caram Otávio Toledo/j.c.costa Netto
Vem me retratar com o seu próprio olhar Fotografar esse mesmo lugar E revelar uma determinada expressão Emoldurada aqui nessa canção
Vem prende essa imagem num momento seu E eu represento esse minuto seu E assim eu posso ser o ator de sua sensação Soltar a sua própria emoção
E como ator eu canto Como cantor eu represento A vida que você quer ter E não devia mais conter
Vem ainda é tempo pra se descobrir E vir se ver ou vir por vir Para tocar também com o olhar e com a mão O que tanto tocou seu coração
Vem prende essa imagem num momento seu E eu represento esse minuto seu E assim eu posso ser o ator de sua sensação Soltar a sua própria emoção
E como ator eu canto Como cantor eu represento A vida que você quer ter E não podia mais conter
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Domingo, 23 de Março de 2008
Páscoa
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Tempo

Quem me conhece, e sabe destes dias, deve estar esperando algo maravilhoso por aqui, mas, eu ja disse a quem me acompanha, este espaço é atemporal, e nem sempre corresponde aos sentidos e, tampouco, acompanha os momentos, sejam bons ou ruins. Aqui posso me surpreender se o homem chegou ou não a lua, porque prefiro imagens vindas das poesias, das letras de músicas, de satélites imaginários e brilhos cor de prata, e nem importa os grandes avanços da tecnologia, porque posso ainda ficar ansioso por não receber uma mera carta, porque meus desenhos sairam tremidos, ou se meus textos não são correspondidos. Que sintonia, se aqui pode ser ontem ou algo nunca vivido? A criança espera que o dia não passe e que a noite seja breve, se vivo um novo dia, e é bom, ótimo, mas ainda assim vou me recolher aos quartos quando escurece e olhar para as janelas que protegem dos pensamentos mal compreendidos. Mas, se querem que eu diga, estou feliz, mais leve e iluminado, embora, na mesma dimensão de minha sensibilidade, por isso não mudo, mesmo que nunca fique calado.
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Sábado, 15 de Março de 2008
Pelas ruas
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008
Origem
Este rabisco, que fiz agora, é só para matar a saudade do tempo que desenhava, a origem de tudo, do Camafunga, que sonhava trabalhar em jornal e com 15 anos saia com uma pastinha de desenhos procurando um espaço para publica-los. Alguma pouca coisa sobrou do traço, mas preferi seguir outros caminhos.
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